Impacto do Titanic Para A Segurança Marítima

19 de abril de 2021

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Na última quinta feira, no dia 15 de Abril de 2021, uma das maiores e mais conhecida tragédias marítimas completou 109 anos.  O RMS Titanic se tornou um marco na história; antes dele os acidentes eram banais e depois passaram a ter mais importância já que o navio se tornou referência principalmente quando se trata de medidas de segurança. Afinal, a fama que acompanhou o Titanic durante seu período de construção era a de ser um navio livre de qualquer perigo. Tal acontecimento é um fato isolado da navegação visto que na mesma época existiam outros navios transatlânticos, como seus próprios concorrentes navegando na mesma rota do oceano e que não naufragaram.

Importante ressaltar que houve desastres marítimos maiores e mais mortais, porém nenhum ocupou o mesmo lugar na mente popular do navio como símbolo da incapacidade humana de controlar o universo, ainda que em posse da mais avançada tecnologia. Livros e filmes ajudaram a manter o público interessado pela tragédia, no entanto, outro século vai passar sem que saibamos toda a história, pois sempre é possível que surja um novo documento, ou depoimento, ou pesquisa com os restos do navio. Isso é só mais um dos elementos que garantem que o desastre continue sendo tão fascinante.

Como uma das consequências da tragédia, o naufrágio do Titanic foi responsável pelas primeiras mudanças na forma de construção e nas normas de proteção da vida no mar tendo sido catalisador para a adoção em 1914 da primeira Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (Safety of Life at Sea – SOLAS). Com a perda de mais 1.500 pessoas no desastre foram levantadas muitas perguntas sobre as normas de segurança em vigor e o Governo do Reino Unido propôs a realização de uma conferência a qual contou com a presença de representantes de 13 países para elaborar regulamentos internacionais que lidam com a segurança da navegação de todos os navios mercantes.

A Convenção tem por propósito estabelecer os padrões mínimos para a construção de navios, para a dotação de equipamentos de segurança e proteção para os procedimentos de emergência. Em resposta a grandes desastres, os países mudaram para a internacionalização da lei e posteriormente outras Conferências foram realizadas a fim de estabelecer não só regras de seguranças universais, mas a prevenção da poluição por navios no mar.

Desta forma, todos os navios construídos após a tragédia do Titanic deveriam ter botes salva vidas para todos a bordo, os telegrafistas teriam de trabalhar durante a noite (na época, os operadores de rádio trabalhavam 16 horas e não tinham substitutos), exercícios de emergência com os passageiros deveriam ser realizados e a Patrulha Internacional do Gelo foi criada em 1913 nos Estados Unidos para atuar no Atlântico Norte sob supervisão da Guarda Costeira, uma organização que monitora a posição de icebergs para garantir a segurança das embarcações.

Em uma das Conferências realizada em 1948, foi adotada pelas Nações Unidas a Organização Marítima Internacional que tem como objetivo instituir um sistema de colaboração entre governos no que se refere a questões técnicas que interessam à navegação comercial internacional, bem como encorajar a adoção geral de normas relativas à segurança marítima e à eficácia da navegação.

A segurança marítima melhorou muito desde o naufrágio do Titanic, embora cada desastre marítimo subsequente seja outra chamada para melhoramentos na segurança. Avanços na tecnologia e regulação têm ajudado, mas como a indústria continua a crescer, novos riscos continuam a surgir.

A Organização Marítima Internacional (IMO) celebrou, em 2012, na sede em Londres, o Dia Marítimo Mundial com o tema “IMO: Cem anos depois do Titanic”, em uma abordagem sobre a segurança da vida no mar. Em regra, essa comemoração é uma forma de lembrar a importância da segurança na navegação marítima e acontece todos os anos, com o objetivo de realizar um balanço da evolução da segurança marítima, analisar as áreas mais deficientes e criar um programa de prioridades para os próximos anos.

Coincidência ou não, o naufrágio do Costa Concordia veio ao encontro deste evento. Com a ocorrência, o destino lançou um alerta para a comunidade marítima internacional, organizações internacionais, nações e sociedade civil, de que passados cem anos, o ser humano ainda tem muito que aprender com os próprios erros.

 (O Titanic jaz a 3.657 metros de profundidade. Não há luz. É um lugar tranquilo, pacífico e apropriado ao descanso dos restos da maior tragédia dos mares. Que assim seja, e que Deus abençoe as almas que encontramos). Robert Ballard

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